aberta ao mundo

Ando pela vida como se abertos estivessem todos os caminhos do mundo. (Mário Quintana)

31.1.05

Para falar de Amor

Basta

Não quero mais o eterno,
Bastam-me horas,
Não quero mais o sereno,
Farta-me o insano.
Não espero mais nada do certo,
Aposto no engano.

Barroca alma
Sem paz, sem calma
Não cabe mais no corpo
Explode pelos poros.

Hoje, prefiro soltar-me à deriva
A ver-me preso ao mesmo porto
Acredito mais na beleza da lenda
Que na dureza da fé.

Acredito em sonhos,
que movem, Invisíveis, os moinhos da vida
E criam histórias, fantasmas, heróis, amores
Sempre foi assim.

Não importa o que foi escrito pelo destino
O improviso são as flores,
Ele muda o caminho.

(Tonho França)

Tenho pensado muito que devo mudar este jeito de enxergar o amor. Acreditava que existiam histórias encantadas, daquelas que a gente vê em filmes e novelas, amores perfeitos e completamente correspondidos, amores da vida inteira, amores “para sempre”. Não sei se o longo período em que fiquei (e tenho estado) solteira acabou com as minhas crenças ou se o amadurecimento é que transforma tudo.

Hoje, não espero encontrar um amor eterno, mas um amor. Não espero mais que seja calmo, manso, tranqüilo; quero um avassalador, devastador, que arranque as árvores das profundezas da terra, que arranques as telhas das casas, que cause uma enxurrada em mim! E não espero mais que ele chegue através de um príncipe montado em um cavalo branco, mas que apareça, numa terça feira qualquer, em que eu esteja gripada e fanhosa, indo à farmácia, com lenços de papel na mão, o cabelo preso no coque e cheia de olheiras (como sempre!).

Minha alma solícita, espera que este amor apareça. De tanto vagar pelo mundo sozinha, expandiu-se, evoluiu, ampliou-se, amadureceu, amadureci. Vivemos coisas, acreditamos, sofremos, sorrimos, choramos, crescemos. Ela e eu, às vezes, não somos a mesma pessoa, e ela sai de mim, não me obedece, vaga pelos recônditos dos outros à procura de alguém que a entenda, a escute. Ela, muitas vezes, “extravasa pelos meus poros”. E vai, sozinha, arrumando confusões, bagunçando a casa para depois eu arrumar. Mas, no final, sempre nos reencontramos.

Enquanto o amor esperado não dar o ar da graça, vago com minh’alma à deriva, sem me prender a ninguém, sem esperar por telefonemas, por correspondências, por reciprocidade... Vago simplesmente sem esperar. Acredito que, um hora dessas, ele virá, mais cedo ou mais tarde. Virá, invadirá, montará sua barraquinha no meu espaço íntimo e permanecerá o tempo que tiver de ser. Prefiro acreditar nisso a pensar que não existe mais nada, que não existe amor romântico.

Como diz o poema, “não importa o que foi escrito pelo destino”, nós escrevemos nossa própria história, torta, tosca, mal ou bem escrita, ela é obra de nosso próprio punho. Podemos adorná-la com flores ou com espinhos, a escolha é totalmente nossa. Sempre digo isso, é melhor ser alegre que ser triste, então enfeite sua estrada com milhares de rosas e não espere das pessoas, agradeça o que receber e siga em frente. Uma hora qualquer, de um dia qualquer, num momento qualquer, sem que esteja preparada, sem que esteja esperando, o amor aparece e permanece.

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Para falar de Carnaval

Período sem igual! Eu amo o Carnaval! Mas nutro algo ainda maior pelo Carnaval de Olinda e é para lá que eu vou! Todo mundo convidado!

“Olinda, quero cantar pra ti esta canção. Teus coqueirais, teu sol, teu mar, faz meu coração vibrar de amor a sonhar. Olinda sem igual, salve teu carnaval!”
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Para agradecer

Obrigada ao meu amigo blogueiro, profeta do óbvio (http://www.profetadoobvio.weblogger.terra.com.br), pela singela homenagem prestada em seu blog. Quem manda bem é você! Estarei sempre por lá, visitando-o e comentando seu olhar sobre o mundo. Agradeço também a Sonia, do Desatinos (http://www.desatinos.weblogger.terra.com.br) pela poesia lá em cima. Beijos a comunidade blogueira que passa aqui!

26.1.05

Viva aos blogs!

Tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda, exceto essa mania de blog que tomou conta de mim. Sim, atualmente, dedico parte do meu dia a ler e reler posts, escrever comments, descobrir links e desbravar este mundo virtual infinito.

Dentre os versos que não disse, encontro frases perfeitas, pontos de vista genuínos, opiniões, pareceres, encantamentos, desatinos, poesias... Censura zero neste mundo aos amantes da leitura e da escrita.

Há pessoas que falam de amor, há a épica e legendária guerra do sexos (reconhecidamente lida, vista, relatada e devidamente comentada nos blogs mulé burra e sexo frágil), há pós adolescentes inventivos, descobrindo, depois dos vinte, coisas inimagináveis; há também profetas do óbvio, panteras, cafajestes quase arrependidos, há de um tudo neste cyber esbaço. Lugares especiais: desde pântanos lamacentos, de onde saem idéias incríveis através de moradores criativos, inteligentes e com a visão de mundo que um dia quero ter; há um cortiço habitado pelas mais interessantes figuras; até um café do blog onde muita gente se encontra para tomar um café, bater um papinho e ler excelentes posts.

O mundo virtual é realmente uma caixinha de surpresa. Somos influenciados e influenciamos. Damos a cara para bater. É meu cérebro na rede e o coração cheio. Abrimos nosso âmago aos outros e esperamos que nos aceitem como somos. Esperamos que leiam o que escrevemos. Esperamos que se identifiquem com o que dizemos. Esperamos que comentem favoravelmente, ou nem tanto, mas que comentem.

No final, o que mais importa mesmo é crescer, evoluir e descobrir aqui ou acolá algo que realmente faça você mudar (para melhor, claro).

PS: Este post tem o único objetivo de homenagear aqueles inúmeros blogs que fazem part do meu cotidiano. Saudações aos que passam aqui! Seguem os links. Vale a pena conferir todos.
Tudo o que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda: www.cacomigo.blogger.com.br
Versos que não disse: www.milabraz.blogspot.com
Meu cerébro na rede: www.meucerebronarede.blogspot.com

24.1.05

Desconfigurando

“Pane no sistema alguém me desconfigurou!”

Sempre acreditei que fosse uma pessoa de opinião, idéias na cabeça, que digerisse o que via, vivia e compreendia do mundo e transformasse tudo isso em algo de concreto dentro de mim. Sempre acreditei que não fosse o tipo de menina fútil, superficial e influenciável. Acreditava que era capaz de formular minhas próprias idéias e ideais. Sempre pensei que eu soubesse o que queria, onde queria, como chegar lá.

Doce ilusão. Sou uma adequada, conformada, qualquer uma. Estou engolida pelo “sistema”, pela “moda”, pelo o que os outros esperam de mim. Sou exatamente o que a sociedade espera que eu seja. Sou o futuro da nação. Sou um exemplo a ser seguido?!?! Definitivamente, NÃO!!!

Ser o que muitos pais hipócritas sonham para as filhas, a namorada para os filhos: uma menina classe média (isso ainda existe?), estudante de Direito da UFC, futuro promissor (?), algo a acrescentar, culta (?), que fala outros idiomas (poliglota é pedantismo demais para o meu inglês fraco e o francês arrastado), bem relacionada?!?! Blaaaahhhh! Não que eu não reconheça os méritos da aprovação num dos vestibulares mais disputados do Estado, quiçá do país; não que eu não ame e valorize demais minha faculdade; não que eu não reconheça o quanto sou privilegiada no país dos analfabetos e alfabetizados que só assinam o nome, não que eu ache grande coisa tudo isso e me sinta orgulhosa de ter conquistado este STATUS. Mas não passa disso, é só status! Nada demais, nada a mais.

Queria reconhecer em mim algo que fosse verdadeiramente meu, algo por mim criado, algo que não fosse influenciado, copiado e colado, imitado, injetado. Queria que existisse em mim algo para além das conveniências e modismos. Algo puramente meu, genuíno, único, intrínseco. Queria apenas ser EU!

Será que eu gosto mesmo desta roupa ou uso porque é conveniente ou moda? O que é bonito??? O que é bom? O que é o melhor para alguém? Por que precisamos encontrar alguém? Quem disse que existe alma gêmea, par perfeito??? Por que temos que trabalhar oito horas por dia? Por que trabalhar? Por que perder os melhores anos de nossas vidas em frente a uma tela luminosa, em salas refrigeradas, em ambientes de pessoas fingidas, falsas, hipócritas, que sorriem e difamam, a-do-ram alguém e desmerecem o trabalho que este alguém produz, são amigos e tentam a todo custo puxar o tapete? Para garantir meu futuro? Por que não curtir o sol, vê-lo nascer e se pôr, beber uma cervejinha gelada depois das três? Por que não estudar artes ou música (meu pai teria uma resposta na ponta da língua para essa pergunta: “você quer morrer de fome?”). Não entendo como estudar por obrigação, para ser alguém! Estuda-se aquilo que se gosta, que se tem prazer! Lê-se aquilo que é atraente, prazeroso! Ama-se, não o belo, mas o que tem química!

E se eu quiser usar o cabelo verde? Vestir uma roupa roxa com bolinhas amarelas? Se eu quiser ouvir Reginaldo Rossi no último volume cantando aos gritos? Se eu quiser andar de ré? Se eu quiser largar a faculdade para dar a volta ao mundo com um real? Se eu decidir que odeio o Direito e minha vida é pintar paredes? E daí? Quem define os conceitos de ridículo, feio e bonito, brega e cult, certo e errado?!?! A quem eu outorguei poderes para decidir como viver minha vida? Tudo isso são apenas conceitos, idéias. A maioria delas nos é imposta. Não me escutaram. Não perguntaram se eu tinha alguma coisa contra, não me deram a opção de falar agora ou calar-me para sempre.

Quero ser subversiva! Quero quebrar todos os paradigmas, quero ser única, diferente dos demais, quero reconhecer em mim uma personalidade peculiar e minha! Quero ser eu! Quero poder exercer o livre arbítrio a que tenho direito? Quero ter direito a voto? Impugno desde já tudo o que é conveniente e cômodo. Protesto contra toda forma de alienação e subserviência! Cada um por si e viva a autenticidade!

“Lá vem eles novamente, eu sei o que vão fazer, reinstalar o sistema: PENSE, FALE, COMPRE, BEBA, LEIA, VOTE NÃO SE ESQUEÇA, USE, SEJA, OUÇA, DIGA, TENHA, MORE, GASTE, VIVA...”

20.1.05

Sempre para frente!

Acabo de ler um texto que fala sobre encerrar ciclos. É preciso, diz o texto, saber fechar a porta atrás de si e continuar em frente, sem olhar para trás. É preciso saber começar e viver o novo, sem resquícios ou amarguras do que já passou. É preciso fechar as caixas com as cartas de amor e "fotos de nós dois". É preciso aprender a entender que algumas pessoas estão só de passagem em nossas vidas, não permanecerão. É preciso ir adiante e esquecer o passado. É preciso encerrar os ciclos.

Saber passar por cima de situações difíceis é demonstração de maturidade. Saber esquecer e continuar a viver após ter sido magoado é grandioso. Ter fé nos outros e confiar no próximo mesmo que muitas mentiras lhe tenham sido contadas, mesmo que tenham sido infiéis ou canalhas, é sinal de um grande caráter. Tudo isso é a capacidade de viver, mesmo ante as adversidades, mesmo convivendo com os problemas. É, acima de tudo, capacidade de ser feliz mesmo que as linhas de nossa história sejam tortas.

Li no blog de uma amiga (Camilla: http://milabraz.blogspot.com) comentários sobre a estagnação, a resignação de alguns frente a grandes sofrimentos. As pessoas param no tempo, transformam-se em adolescentes tardios, eternos sofredores, culpam-se e sofrem, deixam de amar a si e sofrem, choram pelo fim do relacionamento “perfeito” e sofrem, acham que nunca mais serão felizes e sofrem... Sofrem, sofrem, sofrem... Em vez de ver as possibilidades que existem adiante, prendem-se ao passado, permanecem amarrados a ele e a impossibilidade de retorno acaba transformando-os em seres depressivos, tristes, que afastam os outros de si.

Sempre digo que é muito melhor ser alegre que ser triste. Pode parecer óbvio, mas isso vale para todas as situações na vida. Em vez de se trancar dentro de si, com mágoas e rancores, melhor sair para dançar. Em vez de relembrar momentos maravilhosos que passamos com alguém, melhor levantar a vista e procurar um olhar fulminante, penetrante, insinuante. Em vez de derramar lágrimas por alguém que não merece nossa consideração, melhor mesmo é ver quem está aí ao lado sempre que é preciso. Prefira a vida ao sofrimento. Como a própria Camilla comentou, já dizia Fernando Pessoa: “A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”.

Não sei conviver com o sofrimento. Tenho cá meus calos, minhas feridas, minhas partes ainda dormentes, mas prefiro caminhar pela vida sem olhar para trás, sem me arrepender do que fiz, sem chorar o leite que derramei ou que derramaram sobre mim e fitar o porvir, como diria Mário Quintana, “como se estivessem abertos todos os caminhos do Mundo”, aberta ao mundo.

17.1.05

O casamento

Comentei com vocês acerca do casamento de dois amigos do tempo de colégio, Falcão e Luana. Pessoas com quem convivi durante um longo período de minha vida, ele, com certeza, bem mais que ela. O casamento realizou-se sábado, 15/01/2005, na mesma Igreja em que meus pais se casaram. Não bastasse a emoção de vê-los no altar, sendo madrinha e testemunha deste dia e de todo o relacionamento deles, ainda tinha que ser na Igreja em que meus pais casaram e em que fui batizada. Mas voltemos um pouco a fita para que eu conte todos os percalços deste dia.

Liguei para o salão para saber a que horas deveria estar lá para fazer cabelo e maquiagem. Todas as mulheres me entendem neste momento, janeiro é mês de muitas festas, casamentos, formaturas e os salões ficam abarrotados! Marquei às três horas, achando que lá pela seis estaria pronta. Beleza! No horário combinado fui ao Salão, a bicha louca do meu cabelereiro, que me conhece desde a época dos piolhos, resolveu que eu ia furar a fila, deu um queixo nas demais clientes e resumo da ópera: às 16:00 horas, eu já estava penteada e maquiada!

Fui pra casa sem saber o que fazer até as 18:00! Como é que eu ia segurar aquela maquiagem no calor de verão que faz em Fortaleza em Janeiro, e o pior: como segurar o penteado?!?! Enfim, fiquei meio dura, assistindo à TV, com o ventilador no 3 ligado em cima de mim, até umas cinco e meia, sim, porque eu ainda ia buscar a minha amiguinha Rochelle (estou chamando de amiguinha para não colocar palavras de baixo calão no meu blog!).

Ligo para a Rochelle às 17:45, como madrinhas, deveríamos estar na Igreja às 19:00h, ela me atende, ainda do salão, diz que está beeem longe de estar pronta e me deixa nervosa! Minha mãe e minha tia resolvem me acompanhar. Vou encontrar a Rochelle no salão. Qual foi a minha surpresa ao encontrá-la, ainda desmaquiada, com o cabelo ainda solto, de chinelos e short jeans!!! Não vai dar tempo! O santo do namorado dela resolve ir comigo até a casa da moça, enquanto ela termina tudo no cabeleireiro, e pegar vestido, sandálias, jóias, bolsa etc. para que ela se produzisse lá no salão mesmo.

Ao chegar na casa da dita cuja, ninguém. Isso mesmo, ninguém em casa e nem ela nem o namorado tinham a chave. Desespero. Não vai dar tempo! Ligo para a infeliz, que diz que vai ligar para a mãe. Não sei como, e depois de esperar uns 20 minutos na porta, a chave apareceu. Alguém veio deixar. Pegamos tudo e saímos correndo de volta ao salão. Nessa hora, Rochelle terminava a maquiagem, eram 18:45! Não vai dar tempo! Corremos não sei para onde, fizemos a muda de gata borralheira à Cinderela e saímos correndo para a Igreja. Todavia, antes de chegar lá, ainda teríamos que deixar o santo do namorado dela na parada, minha mãe e minha tia na casa desta. Não vai dar tempo!

Dirigi feito uma louca! Maiquel Xumaquer (não sei escrever o nome desse infeliz!) teria inveja de mim. Chegamos na Igreja às 19:10 e, e, e?... Não tinha ninguém! Gabriel e sua digníssima já estavam lá! Mas só nós quatro mesmo! Esperamos feito tontos... Enfim, os demais padrinhos, conhecidos, convidados foram chegando. O noivo, todo garboso, parecia mesmo um pingüim. O PA, querendo ser um tal de Walney Haidar, com a sua linda girlfriend (sei que muitos acharão esse comentário hipócrita, mas é verdade! Só que ela esqueceu que nunca se deve usar preto em casamentos. Preto é para enterros, funerais, velórios, não para casamentos. Mas tudo bem! KKKKKK!!!).

Esqueci-me de dizer que a metida da minha mãe resolveu que iria assistir à cerimônia e foi, sem ser convidada! Confesso que na hora que Luana entrou e a marcha nupcial ecoou dentro da Igreja, não contive as lágrimas (nem eu nem Gabriel). Sim, eu também quero me casar! Não basta ser inteligente, independente, bem sucedida, financeiramente estável, viajar o mundo, falar três idiomas, conhecer várias pessoas, ser bem relacionada... Isso tudo são muitos sonhos que acalento e acalentam minhas noites, mas eu quero casar, sim! Família, filhos barulhentos, almoços de domingos, presentes de Natal, pipoca com DVD no final de semana, com aquela cabecinha quente que a gente só quer proteger mais que tudo, quero saber o que é instinto maternal, quero tudo isso para ser feliz!!!

Voltando ao casório, saímos da Igreja, fui deixar minha mãe metida em casa e quase não encontro o tal do Buffet. Quando, enfim, encontro-o, minha mãe liga dizendo que tinha deixado a chave de casa dentro do carro. Ninguém merece!!!! Volto para deixar a chave com ela. Ao chegar na festa, todos esperavam-nos, eu e Rochelle, para as fotos com os padrinhos. Na hora do buquê, só raiva. Advinha quem pegou??? A namorada do PA! Grrrrrrr! Ai, que ódio! Será que ela pensa mesmo que vai casar com ele?!?! Doce ilusão!

Fim de festa. Conversamos, bebemos, lamentamos e festejamos, sentimo-nos felizes pelo momento pelo qual passamos. Sim, meus amigos começam a casar. E eu? Eu simplesmente espero a pessoa errada da minha vida chegar. Que sejam felizes os noivos e todos nós!!!

PS: Rochelle, você não merece meeeeeessssssmo a amiga que eu sou!

13.1.05

As motivações

Sim, eu sou egocêntrica! Sim, eu olho demais para o meu próprio umbigo! Sim, mãe, eu estou me expondo demais aqui, abrindo ao mundo a minha vida, dividindo com amigos e desconhecidos o que me aflige. Sim, eu sei que deveria falar sobre o sol, sobre o mar ou sobre as flores. Sim, eu sei que deveria usar a terceira pessoa ou a voz passiva sintética. Sim, eu sei, eu sei de tudo isso. Mas como?

Não consigo imprimir a paixão e tenacidade que permeiam meus textos se não estiver falando sobre o que sinto. Não sei ser convincente, persuasiva, se não estiver defendo aquilo em que acredito. Não sei ser meio-termo, não sei ser hipócrita. Além disso, e principalmente, não quero que meu blog seja um poço profundo de superficialidades e conversinhas inúteis, impessoal. Talvez tenha transformado-o no meu querido diário virtual, mas só sei dissertar sobre mim.

Talvez fosse mais fácil contar histórias da minha infância ou discorrer sobre livros e artes, mas é sobre o meu mundinho “casa - faculdade - estágio - farra - casos mal sucedidos - romântica até doer - sonho com príncipes - desilusões - amigos demais - saudade - vida”, que sempre cai o meu olhar.

Não tenho pretensão de escrever livro nenhum, embora muitos dos meus amigos achem que deveria! Não tenho pretensão de ser poetisa (nem pretensão nem talento! As poucas poesias que escrevi em minha vida, jamais publicaria aqui)! Não tenho a menor ânsia de reconhecimento, Academia Brasileira de Letras! Não forço, não penso, não planejo o que escrevo, simplesmente sai, salta de dentro do peito. Às vezes, um acontecimento do dia-a-dia ou uma conversa com um amigo faz com que eu pense: “Isso renderia um excelente post! Vou amadurecer essas idéias”. Mas depois, só coloco mesmo para fora o que me inquieta, o que me atordoa, o que pesa durante os meus sonhos, os meus motivos.

É justamente esse o fundamento: escrevo para colocar para fora os meus motivos para chorar, os meus motivos para sorrir, os meus motivos para viver, os meus motivos para cair de amores ou detestar alguém, os meus motivos que me fazem ser o que eu sou. Só isso! Como fazer isso sem me expor?!?

A identificação de muitos é instantânea; de outros, simplesmente inexistente. Pouco importa. Muitas vezes são baboseiras sentimentalóides; outras tantas, só aprendizados com as portas e tapas na cara que levei nessa vida; em algumas, só para deixar claro o quanto amo certas pessoas; mas no final de tudo, o intuito é mesmo abrir minha vida.

Como sugere o próprio título, estou aberta ao mundo. “Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra!”, mas antes disso leia o post Pedras nas mãos.

10.1.05

O amor em si

É algo comum em mim a inconstância, o embate de idéias e a mudança, o paradoxo, o contraditório... Tenho uma tendência incrível de morder a língua. Juro com os pés juntos que jamais farei isso e, segundos depois, me pego fazendo justamente o que prometera a todos não fazer. Dentro de mim, desejos e juízo, emocional e racional vivem um conflito constante, choques permanentes. Minhas emoções são um caldeirão em ebulição. Se hoje eu adoro, amanhã eu posso detestar. Se hoje estou feliz, amanhã algo deve me colocar para baixo. Embora seja algo realmente raro amigos e conhecidos me verem de mau-humor ou triste, meus momentos de TPM são maçantes. Enfim, sempre fui este conflito ambulante, esta pessoa paradoxal, este choque entre tese e antítese numa síntese nômade.

Nestes últimos dias não tem sido diferente. Felicidade e tristeza, amor e ódio, surpresa e decepção. Tudo ao mesmo tempo acontecendo em minha vida. E é para relatar os fatos desencadeadores de todos estes sentimentos que escrevo este post. Aviso aos caros amigos leitores que será um texto longo. Quem tiver preguiça ou estiver sem tempo, melhor parar por aqui.

A felicidade é algo que consigo encontrar em pequenas coisas cotidianas, em detalhes do meu mundinho. Mas também sei aproveitá-la através dos outros. Não que eu seja um ser humano altruísta e humilde ao ponto de abrir mão da minha própria felicidade pela dos meus semelhantes, já disse o quão egoísta e birrenta eu sou no último post. O que ocorre é que consigo que reflita em mim a alegria dos outros. Sou o tipo de pessoa que se comove (ou se descompensa, como diria um amigo) com transbordamento de felicidade. Próximo sábado será o casamento de um casal de amigos para lá de especiais. Amigos de colégio, do saudoso CLF. Serei madrinha junto com outros amigos de turma... Isso tudo é motivo de grande felicidade para mim! Sim, passei da fase das festas de quinze anos e dos churrascos comemorativos pelo sucesso no vestibular. Sim, eu sei que não sou mais uma garotinha. Sim, a vida adulta está chegando com tudo e os meus amigos começam a se casar! Sim, eu sei que estou solteira ainda e longe de encontrar meu príncipe, mas vamos voltar ao motivo da minha felicidade?!?! Falcão e Luana se casam no próximo sábado e eu, telespectadora do desenrolar do namoro deles, dou saltos de felicidade e desejo toda a sorte do mundo e saúde para o filhinho que chega!

Porém, enquanto Falcão e Luana iniciam uma nova fase na vida deles e me enchem de alegria, tenho um grandioso motivo para estar triste. Quando meu mundo desabou e o céu se tornou turvo, pude me amparar em somente duas pessoas. Dois amigos que se mostraram para além dos clichês que o momento exigia, dois amigos que foram mais que isso, mais que qualquer coisa. Duas pessoas que, cada um a seu modo, me ensinaram a viver novamente, a ser eu novamente e a me amar novamente. Sei que o tempo nem a distância são capazes de acabar com os laços que foram criados entre nós. Após a ida dela para Inglaterra, restou-me somente ele. Um cara nota mil, amigo para todas as horas; alguém em quem posso confiar sempre e para qualquer coisa; uma pessoa que entende pelo meu tom de voz o que se passa no meu coração; um amigo que sabe pelo meu olhar tudo que me afligiu durante o dia; um ser humano que, basta pensar o quanto sua companhia seria boa no momento, me liga chamando para sair; uma amizade metafísica, para além da vã compreensão humana. Mas, como se não bastasse a ausência dela, que também é tudo isso e muito mais, ele vai embora agora, morar na França. Voltarão ambos na mesma época, mas o período distante deles vai ser por demais dolorido.

Despedir-me e ficar aqui sem estas duas pessoas parece-me um martírio enorme. Mas, só assim, descobri que existem muitos outros amigos que fazem questão de estar comigo e preencher estes espaços vazios na minha vida. Pessoas realmente especiais e que me consideram demais. Nada mais prazeroso do que ouvir estes novos amigos dizerem o quanto se importam comigo e o quanto lhes sou cara, que este período que se inicia será de grande realizações para mim, de possibilidade de conhecer muito mais gente (outro descompensamento)... Depois de passar anos da minha vida ouvindo terceiros afirmarem que sou difícil de lidar e antipática, a conquista de tantas amizades e o carinho que eles me devotam são mais que razões para a felicidade voltar a reinar. Pedro e Renata Pinho, adoro vocês também, embora nem sempre deixe isso claro!

Surpresa melhor que se descobrir amado e querido por aqueles que consideramos, é perceber, depois de tanto tempo, alguém conquistando espaços, abrindo caminhos, sem esforço, quase sem querer. Sem nem ter consciência, vai chegando de mansinho, despertando a curiosidade, deixando um gostinho de quero mais após cada encontro... Alguém que afirma se entregar sem grandes esforços e pede em troca somente felicidade; alguém que se dispõe a correr o mundo, ver o sol nascer na praia, molhar os pés no mar e encher-me de carinhos e massagem. Espero apenas que o vento continue soprando a meu favor...

E mesmo com tantas surpresa agradáveis, a decepção sempre tem seu lugar. Enquanto novos amigos me surpreendem, velhas figuras desta vida me derrubam e magoam. Acho até melhor não discorrer sobre isso, mas queria apenas deixar expresso que todos somos responsáveis por aqueles que cativamos, como já diria o pequeno príncipe, mas não podemos esperar demais das pessoas, às vezes, elas simplesmente não sabem retribuir o sentimento que devotamos.

Enfim, chega de melancolia, porque é muito melhor ser alegre que ser triste e o vento já começa a soprar de novo me apresentando alternativas atraentes. Para terminar, nem sei se vocês perceberam, mas este post inteiro fala de amor. Não apenas do amor romântico, mas do amor em si. Termino com uma frase que ouvi este final de semana: “QUEM DE DENTRO DE SI NÃO SAI, NÂO VAI NUNCA AMAR NINGUÉM”.

PS: Continuo a série "Querido diário virtual"!




3.1.05

Sobre mim!

Tava aqui ainda sofrendo com a rebordosa do reveillon inesquecível em Jeri, pensando no que escrever, sobre o quê? Contar para o mundo, redigir neste diário virtual um pouco das emoções que me tomaram na virada do Ano. Todavia, algo preso em mim não consegue explodir.

Normalmente as palavras fluem e em poucos minutos já está lá: minha vida inteira escancarada. Ouvi neste reveillon alguém me dizer que sentia como se me conhecesse muito bem, pois era leitor voraz dos meus textos. É assim mesmo. Tela na frente, dedos ágeis, poucos minutos e tudo que sei e que sinto em poucas palavras, para todo mundo ver, rebater, contestar.

Mas dessa vez, não. Tá tudo entalado, engasgado. Quero rir muito e chorar, quero ser mais responsável e abandonar meus estudos e o estágio, quero namorar sério e curtir as baladas sozinha, quero fazer um mochilão de 6 meses na Europa e me formar ainda este ano, quero Carnaval em Olinda e no Presídio com a galera da faculdade, quero emagrecer e jantar um sanduba todos os dias, quero coca-cola no almoço e não ter problemas estomacais, quero sair no domingo à noite e acordar bem e disposta para trabalhar na segunda, quero tudo ao mesmo tempo agora.

Sempre fui assim, egoísta, egocêntrica, inquieta, independente. Meus desejos têm que ser atendidos de plano; se não, faço beicinho, choro. Minhas palavras têm que ser ouvidas, entendidas, assimiladas e anuídas; se não, não descanso. Meus argumentos são sempre irrefutáveis e não adianta contra-argumentar. Minhas vontades não têm limites nem freios. Sou impulsiva, imediatista, ansiosa, ousada. Corro atrás do que quero, gosto de resolver as coisas logo, fazer as coisas do meu jeito. Odeio esperar, não só no sentido temporal, mas também criar expectativas. Odeio depender de outrem. Odeio gente fresca. Odeio futilidades, superficialidades. Não importa a marca da sua roupa ou do seu carro. Não me importa se seus pais ganham mil ou dez mil ou cem mil, o dinheiro é deles e não seu, construa você sua própria fortuna! Não importa se faz sol ou se chove quando meus amigos resolvem se reunir para tomar uma. Importante para mim é o que se tem a acrescentar àqueles que nos cercam. Importante mesmo é bater a cabeça e não acertar mais o mesmo lugar, porque batê-la de novo é previsível e inevitável. Importante é ter alguém com quem conversar, alguém que te faça suspirar, alguém com quem se possa contar, alguém em cujo colo você possa chorar, alguém para quem ligar de madrugada, alguém para tomar todas até virar a perna, alguém para recontar as histórias da infância, alguém para chegar ao céu com mil carícias, alguém que te ensine a ser adulto, alguém que sirva de exemplo para a pessoa que você quer ser no futuro, alguém que faça você crescer... Pode parecer clichê, mas as pessoas são o que são e não, o que têm. Sou isso mesmo, este poço profundo de defeitos e algumas qualidades e, no entanto, não quero mudar.

Não há nada mais condizente com que escrevi no post anterior do que este texto. Minha personalidade aí, destilada nestas linhas. Poderia ter comentado acerca do pôr do sol inenarrável que vi em Jeri. Poderia ter contado porque chorei nos primeiros quinze minutos deste ano (Ju e Bruno, embora a gente não tenha se falado, eu AMO VOCÊS e fechei os olhos pedindo tudo de bom para ambos!). Poderia contar que a minha turma destruiu Jeri ou dizer o mal que causa não usar filtro solar e sair para caminhar na praia em pleno meio dia. Também poderia escrever um artigo turístico sobre Jericoacoara ou quem sabe ainda contar para todos a história do macaco que tava comendo milho em cima da carnaubeira. Mas não, nada disso convém.

Como disse no post anterior, em 2005 não quero planejar e ainda quero voar livre pelo mundo. Se pudesse haver um símbolo para este ano, como um amigo disse, seria um ponto de interrogação. Não sei o que acontecerá, mas tenho fé na vida e confio que a brisa que carrega a folha seca do meu destino soprará para um ilha caribenha, onde o sol brilha todos os dias, o clima é simplesmente agradável e eu me balanço numa rede embaixo de um coqueiro. Vida mansa, sombra e água fresca. Acho que tô precisando de férias!